domingo, 27 de maio de 2007

Conto Futuro De Um Presente Sem Passado

A pedidos, estou deixando um pouco de lado toda a tecnologia pra deixar isso com mais cara de blog mesmo.

Uma coisa interessante pra escrever é sobre a complexidade não complexa do ser humano.
É simples, o ser humano deseja tanto ser complexo que acaba resumindo tudo ao fato de tentar entender e estudar tudo que existe e que não existe, e até o que foi criado ou ainda vai ser.
Pior que isso. Ele tem uma mania estranha de tentar entender os próprios pensamentos. Sendo que pensamentos esses são apenas um erro da natureza. Pensamos porque algo deu errado. Prova essa que só o que fizemos com nossos pensamentos foi destruir.
Imagina, você diz, criamos vacinas, descobrimos coisas incríveis, fomos a lua, salvamos espécies em extinção. Claro, realmente, e nada disso seria necessário ser feito se não tivéssemos a nossa amada racionalidade. Ela não é o que nos torna superior, e sim os que nos torna fracos e irritantemente confusos. Procuramos entender cada atitude, sendo que a partir do momento que ela existe já não tem mais a menor importância. Conhecer o passado para não errar no futuro dizem alguns. E quando o futuro reserva coisas que nenhum passado já trouxe? Ou que o passado esconde tão bem que não adianta vasculha-lo? Seria mesmo útil conhecer o passado tão bem assim? E insistir que nele se encontra verdades indiscutíveis? E o que seria mais interessante, passar anos tentando entender o passado para não agir errado no presente, ou encarar o futuro como algo novo e incrível que ele sempre será?

O que quero mesmo dizer é: o que você fez até hoje com sua racionalidade que serviu pra alguma coisa? Não digo pra você, nem para sua humanidade insólita, e sim que serviu para alguma coisa para toda a existência cósmica. Nada, apenas sua existência medíocre já é o suficiente para o ciclo natural do universo, e quanto mais você tenta provar o contrário, mais as leis imutáveis do desconhecido riem de você.

Se você entendeu algo, então percebe que a simples absorção dessa idéia e desse texto é inútil e desnecessária em todos os aspectos. Mas se você tem em mente que alguma coisa existe totalmente pela sua existência e que você é peculiar, um ser único e de importância grandiosa sobre condições que nem você entende, então, ou você é um sonhador que gosta de pensar assim, ou você realmente nunca vai entender o que a vida quer dizer realmente.
Reafirmando que, caso sua visão seja mais ampla, vai apenas entender que nada do que foi dito ou será dito é útil.

Com isso começo a falar sobre Quinta-feira, dia 24 de maio de 2007.

Como um blog, isso deve conter algum tipo de experiencia do dia-a-dia, e como geralmente eu não tenho algo realmente interessante nos meus dias, vou falar sobre a data citada acima.

Começa quando eu ganhei um par de ingressos para assistir a pré-estreia de Piratas do Caribe 3. E também uma camisa do filme. Porém, o par de ingressos somente é válido para a capital, São Paulo, e eu moro a 100Km de distancia.

Bom, normalmente a pessoa desistiria de ir, e ficava apenas com a camiseta. Bem, por sorte o normal geralmente me irrita, e coloquei na cabeça que eu ia. E, como não podia deixar de ser, do mesmo jeito que geralmente eu vou, de trem.

As 3:30 da tarde de quinta feira estava dentro de um ônibus para Jundiaí, pronto para ir ver o filme. O plano? Nenhum, apenas ir ver o filme e me virar pra passar a noite aonde desse, previamente imaginado. Já visto pelo Google Earth o caminho exato para chegar no local (Shopping Jardim Sul) não tinha mais nada que me impedisse, além de discussões familiares e o fato de não ter nenhum meio de transporte púbico para voltar, o que resultou em previamente imaginar onde passar a noite.

Saindo relativamente cedo daqui, já que a sessão seria as 9, comecei minha jornada. Nenhum segredo até aqui, peguei o onibus até Jundiaí, chegando lá fui até a estação de trem, pegando ele exatamente na hora que estava saindo, fui até a Barra Funda sentado, sem problemas, peguei a linha cinza de trem, começando a parte de pé. Depois a linha azul, e indo no trem cada vez lotando mais até a estação Santo Amaro. Descendo então para ir até a estação Giovanni Gronchi de metro. Ao fim da viagem exaustiva de 4h e 30 minutos em transporte publico chego a 2km do meu destino. Quase me perco dentro do Carrefour procurando o banheiro e a saída. E sigo pela avenida até chegar ao Shopping. Exatamente 8:30 da noite. Apenas meia hora antes da sessão começar. Pego meu ingresso, meu vale pipoca e refrigerante e entro, sem nenhum acompanhante para a minha sessão solitária de um filme que nem estava nos meus planos ser assistido tão cedo. Sem trailer, e sem demora, o filme começa as 8:45. O cinema não é projeção digital, o som não tem certificado THX, e ainda sim é um dos melhores cinemas que já fui, e até onde sei, um dos melhores de São Paulo, afinal, foi por isso que abrigou a pré-estreia do filme. Por sinal, com muita produção e atenção, visto que tinha desde gelo seco até holofotes com o logo do filme pelas paredes e a trilha sonora do filme ecoando pelo salão fora das salas de projeção.
O filme em si agradou, mas não estou aqui para falar dele. O publico me decepcionou. Logo que acabou o filme todos na sala saíram, não os culpo, já que quase todos também ganharam o ingresso pela promoção. Mas ainda sim esperava um pouco mais de respeito pela sétima arte numa cidade como São Paulo. Bom, para minha felicidade eles perderam a cena depois dos créditos finais. O que também não foi grande coisa, mas ainda sim fazia parte do filme.
Após a alegria passageira me deparei com o desafio. Continuar na cidade até as 5 da manhã para começar a jornada de volta.
Bom, sem idéia, e sem coragem de sair perguntando o que poderia fazer para passar a noite, apelei para a idéia previamente imaginada, que um dia espero não precisar mais usar, e fui para o Extra 24 horas passar o tempo lá, afinal, é um lugar seguro que oferece comida, banheiro, e um lugar longe do frio da noite. Mas não é nem de perto um bom lugar para se passar a noite. Quando deu meia noite e vinte eu já estava lá. E ainda tinha boas horas pela frente...
Tomei um cappuccino, andei o shopping inteiro, e consegui chegar a quase 2h da manhã. Fui lá fora, sentei em um banquinho, comi um lanche que tinha na mochila, e fiquei sentado olhando a paisagem de prédios acessos e luzes piscando de São Paulo por cerca de 1h. E então voltei para dentro do mercado tomar mais um cappuccino. E então, mais uma volta pelo mercado. Já eram quase 4. Voltei a sair, e achei outro banco mais protegido do frio, sentei, joguei cerca e 15 minutos no celular e já era hora de acabar com aquele tédio. Estava na hora de ir para a estação, mesmo que ainda não tivesse aberto, ao menos esperava em lugar diferente. 4:10 saio do Extra, 4:20 estou na estação, que, para minha sorte, voltava a funcionar o metro as 4:40, e não 5 como imaginei. Então, as 4:45 começo minha jornada de volta. Admiro a capital com suas peculiaridades, as pessoas em seus momentos de observação perfeitos, e toda a humanidade envolvida em simples camadas de luz e movimento disposta a minha frente para ser contemplada de maneira desonrosa. Aproveito meu últimos minutos na grande São Paulo e logo começa a surgir no céu uma vontade de mostrar as coisas com sua luz opaca, morta, triste. E assim, antes do completo amanhecer, já estava fora dos limites do município. Com o passar dos quilômetros o frio ia se intensificando, e os 5 graus provavelmente se cumpriram como anunciado. Mas antes de chegar em Jundiaí o sol já se mostrava superior, envolto de confiança e despejando sua luz e calor sobre os mortos cimentos das cidades que se aproximavam.
Apesar da imponência, o sol não conseguiu penetrar a fortaleza metálica recheada de vida humana, com suas mentes em lugares que poucos conseguem alcançar, enquanto um vento cruel, gélido, afiado, suavemente mortífero entrava por suas janelas quebradas e desprovidas de funcionamento para função de serem completamente fechadas arrebatando pessoas que se encolhiam em suas invenções de tecidos colocados em camadas enquanto se esqueciam que toda a arrogância do sol fornecia a elas o que era preciso para se desfazer dessa desconfortável posição.
O resultado foi devastador, e logo funções do meu corpo já não funcionavam como devido. O ouvido foi afetado e perdeu parte de sua capacidade auditiva, os lábios foram ressecados e mal tratados, e o pulmão já não absorvia a quantia necessária de ar para uma boa respiração, o que deu ao nariz trabalho extra para absorver ar enquanto se livrava da mucosa e do frio.
E após uma longa maratona de passos largos para não perder o ônibus de volta a Indaiatuba cheguei ao destino. Cansado, sem ar, e dolorido.
Finalmente o descanso breve, a volta dentro de um ônibus, fechado, quente, confortável, estranhamente carinhoso com meu humor. Alguns minutos de repentino sono, e logo estava de volta ao que supostamente chamo de lar.

Mas o dia ainda não acabou. Afinal, era dia 25 de maio. Dia da toalha e dia dos 30 anos de Star Wars. Após 2 horas de sono em casa eu logo sai de casa novamente, e fui com minha toalha no ombro mostrar meu gentil agradecimento à Douglas Adams por escrever aquele excelente livro.

E então, as 3 da manhã do dia seguinte, finalmente fui dormir. E após eventos de não necessidade de narração aqui, escrevi e agora concluo esse post.

Até a proxima.

Um comentário:

♫ Monique ♪ disse...

Sinto que esse seu post dispensa qualquer comentário. Fiquei sem palavras. Mas não porque sua crônica é ruim. É que ela é tão bem sucedida em passar o que quer que não resta nada a nós leitores além de pensar nela.
Além do mais, gostei de ler sobre suas aventuras. Muito inteligente a sua manobra de passar a madrugada no Extra 24 hs. Eu e você, corujões natos, não temos nenhuma dificuldade com isso, não é?
Parabéns pelo post! Até o próximo!
Beijos!

P.S.: Passe no meu Picasa, ok?